quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cartas ao amor #2

Lembro-me de perguntar por ti.
De me fechar no escuro do quarto, aninhar-me num dos muitos cantos, deixar escapar uma lágrima.
E mais uma.
E outra.

Lembro-me da revolta de ser invisível.
De não deixares ninguém olhar para mim como eu me via.
De não deixares ninguém olhar para mim como por vezes eu olhava para outro alguém.

Julgava que era a ti que te via.
Que eras tu quem não retribuía o olhar, muito menos o sorriso ou o gesto amável.

Lembro-me de te virar costas.
De achar que se não te merecia, também não ia andar atrás de ti.
Bebi o meu copo de um trago só e decidi que podia ser feliz de outra maneira.

Passei noites na rua, com um sorriso na cara.
Perdi, não sei se a vergonha ou o respeito, e disse o que nunca tinha dito, fiz o que nunca tinha feito.
Pensei em mim, no momento, na adrenalina da felicidade espontânea, no sorriso vazio que me viciava.
Julguei ser feliz.

Até ao dia em que percebi no que me meti.
No que caí.
Em que voltei a esconder-me no escuro e chorei. Desalmadamente, sem contar lágrimas, sem conter a dor, sem esconder a falta de um abraço que ficasse na manhã seguinte.

E não te vi chegar quando mo trouxeste.
Quando ele me consolou.
Quando me arrancou o primeiro sorriso.

Ainda me pergunto porque é que demoraste tanto tempo para o trazeres para minha vida.
Ainda me pergunto porque é que ele tem de estar longe.
Ainda me pergunto porque é que não nos dás tréguas e simplesmente nos deixas ficar juntos, a sério.

Que mais temos nós a provar?

2 comentários:

  1. Carolina,
    em primeiro lugar bela escolha para música do dia. Em segundo (que até devia ser o primeiro) gostei da intensidade do que aqui escreveste. Uma viagem rápida por um longo percurso. Parabéns pela sensibilidade que aqui leio!

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