Lembro-me de perguntar por ti.
De me fechar no escuro do quarto, aninhar-me num dos muitos cantos, deixar escapar uma lágrima.
E mais uma.
E outra.
Lembro-me da revolta de ser invisível.
De não deixares ninguém olhar para mim como eu me via.
De não deixares ninguém olhar para mim como por vezes eu olhava para outro alguém.
Julgava que era a ti que te via.
Que eras tu quem não retribuía o olhar, muito menos o sorriso ou o gesto amável.
Lembro-me de te virar costas.
De achar que se não te merecia, também não ia andar atrás de ti.
Bebi o meu copo de um trago só e decidi que podia ser feliz de outra maneira.
Passei noites na rua, com um sorriso na cara.
Perdi, não sei se a vergonha ou o respeito, e disse o que nunca tinha dito, fiz o que nunca tinha feito.
Pensei em mim, no momento, na adrenalina da felicidade espontânea, no sorriso vazio que me viciava.
Julguei ser feliz.
Até ao dia em que percebi no que me meti.
No que caí.
Em que voltei a esconder-me no escuro e chorei. Desalmadamente, sem contar lágrimas, sem conter a dor, sem esconder a falta de um abraço que ficasse na manhã seguinte.
E não te vi chegar quando mo trouxeste.
Quando ele me consolou.
Quando me arrancou o primeiro sorriso.
Ainda me pergunto porque é que demoraste tanto tempo para o trazeres para minha vida.
Ainda me pergunto porque é que ele tem de estar longe.
Ainda me pergunto porque é que não nos dás tréguas e simplesmente nos deixas ficar juntos, a sério.
Que mais temos nós a provar?
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Cartas ao amor #1
Fui assolada por uma melancolia chamada saudade.
Por uma vontade súbita de ficar aninhada no sofá contigo, de me refugiar nos teus braços e de sentir-te o aroma, na falta do perfume que quase só serve para enfeitar a tua cómoda.
De te ouvir entre os comentários que só se trocam quando a cumplicidade é grande e o silêncio da tua reserva habitual.
Quando todos à minha volta antecipam pequenas coisas, jantares e noites perdidas, eu antecipo a tua chegada. Penso na falta que me faz o teu apoio, a tua companhia, o teu jeito de expressar respeito com um beijo na testa, a forma como me fazes sentir pequena e ao mesmo tempo tão grande.
Hoje, a minha disposição devia ser de festa. Mas, como todos os dias de festa em que cá não estás, a minha disposição é incerta. De quem tem algo, mas não tem tudo. De quem te tem do outro lado da linha, mas não te pode ter do outro lado da cama.
Faltas-me sempre tu, o teu braço onde me agarrar, o teu abraço e o teu beijo para celebrar.
Vivo para o dia em que chegar a nossa vez. Quero acreditar que já não falta.
Por uma vontade súbita de ficar aninhada no sofá contigo, de me refugiar nos teus braços e de sentir-te o aroma, na falta do perfume que quase só serve para enfeitar a tua cómoda.
De te ouvir entre os comentários que só se trocam quando a cumplicidade é grande e o silêncio da tua reserva habitual.
Quando todos à minha volta antecipam pequenas coisas, jantares e noites perdidas, eu antecipo a tua chegada. Penso na falta que me faz o teu apoio, a tua companhia, o teu jeito de expressar respeito com um beijo na testa, a forma como me fazes sentir pequena e ao mesmo tempo tão grande.
Hoje, a minha disposição devia ser de festa. Mas, como todos os dias de festa em que cá não estás, a minha disposição é incerta. De quem tem algo, mas não tem tudo. De quem te tem do outro lado da linha, mas não te pode ter do outro lado da cama.
Faltas-me sempre tu, o teu braço onde me agarrar, o teu abraço e o teu beijo para celebrar.
Vivo para o dia em que chegar a nossa vez. Quero acreditar que já não falta.
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